Introdução: quando a interface vira canal de aquisição
Nos últimos meses, a OpenAI passou a testar e comunicar, de forma progressiva, formatos de monetização dentro do ChatGPT. Entre eles, surgem experimentos com anúncios contextuais e resultados patrocinados, integrados à experiência conversacional.
Não se trata apenas de “mais um canal de mídia”. O que está em jogo é uma mudança estrutural na forma como a atenção é capturada, mediada e convertida. Diferente de redes sociais ou mecanismos de busca tradicionais, o ChatGPT opera como uma camada de decisão — e isso muda completamente a lógica da aquisição.
Este artigo analisa:
- O que já se sabe sobre anúncios no ChatGPT
- Como esses formatos diferem de Google e Meta
- Impactos práticos na arquitetura de aquisição
- Riscos, limites e oportunidades para negócios em crescimento
- Como testar esse canal sem improviso
Tudo sob a lente da Ongrowing: método, sistema e leitura de dados.
O que são, na prática, os anúncios no ChatGPT
Os testes divulgados até agora apontam para anúncios nativos e contextuais, inseridos de forma não intrusiva na experiência de conversa. Em vez de banners ou interrupções clássicas, o modelo se aproxima de:
- Resultados patrocinados sugeridos como complemento à resposta
- Menções de marcas, produtos ou serviços quando há clara intenção comercial
- Sugestões acionáveis, integradas ao raciocínio do modelo
O princípio é simples: o anúncio só aparece quando faz sentido para a pergunta do usuário.
Esse ponto é central. O ChatGPT não é um feed de descoberta passiva. Ele responde a intenções explícitas. Logo, o inventário publicitário tende a ser menor — e mais qualificado.
A grande diferença: intenção antes do clique
Em Google Ads, a intenção é inferida por palavras-chave.
Em Meta Ads, a intenção é inferida por comportamento e interesse.
No ChatGPT, a intenção é declarada em linguagem natural.
Exemplos práticos:
- “Qual o melhor CRM para clínicas pequenas?”
- “Como reduzir o custo por lead em anúncios locais?”
- “Ferramentas para automatizar atendimento no WhatsApp”
Essas perguntas já carregam:
- Dor
- Contexto
- Momento de decisão
Isso coloca os anúncios no ChatGPT mais próximos do meio/fundo de funil, mesmo quando o usuário ainda está “pesquisando”.
Por que isso muda a arquitetura de aquisição
Aqui está o ponto que mais importa para quem opera sistemas de crescimento.
1. Menos volume, mais precisão
Não espere escala no curto prazo. O inventário tende a ser:
- Limitado
- Caro
- Extremamente disputado
A lógica não é volume. É qualidade de decisão.
2. Criativo deixa de ser visual e vira argumento
No ChatGPT, não existe thumb chamativa ou vídeo curto.
O “criativo” passa a ser:
- A clareza da proposta
- A coerência da recomendação
- A utilidade percebida
Marcas que não sabem explicar o que fazem, para quem e em qual contexto, simplesmente não performam.
3. Marca e oferta se misturam
Quando o modelo sugere uma solução patrocinada, ele está:
- Associando a marca a uma resposta “inteligente”
- Transferindo confiança cognitiva
Isso aumenta a responsabilidade. Uma oferta desalinhada não só não converte — destrói confiança.
O papel da OpenAI como mediadora de decisão
Diferente de um veículo de mídia tradicional, a OpenAI atua como curadora ativa da experiência.
Isso implica:
- Regras rígidas de qualidade
- Restrições de categorias sensíveis
- Priorização da experiência do usuário
Em outras palavras: não é um canal permissivo.
Empresas que operam no improviso, com promessas exageradas ou ofertas mal definidas, tendem a ficar de fora — ou performar mal.
Riscos reais que precisam ser considerados
Antes de tratar anúncios no ChatGPT como “a próxima grande oportunidade”, é preciso maturidade.
Dependência excessiva do canal
Como qualquer ambiente proprietário, o ChatGPT:
- Define regras
- Controla distribuição
- Pode mudar o jogo rapidamente
Nenhum sistema saudável depende de um único canal.
Falta de dados granulares (no início)
É provável que, nos primeiros ciclos:
- Métricas sejam limitadas
- Atribuição seja menos transparente
- O aprendizado exija mais leitura qualitativa
Quem só toma decisão com base em dashboards prontos vai sofrer.
Onde esse canal faz sentido hoje
Pelo perfil observado até agora, anúncios no ChatGPT tendem a funcionar melhor para:
- Serviços B2B e especialistas
- Empresas com proposta clara e bem definida
- Ofertas consultivas ou de alto valor percebido
- Negócios que já validaram produto e mensagem
Não é canal para:
- Testar ideias imaturas
- “Descobrir” público
- Compensar falhas de oferta
Como testar anúncios no ChatGPT com método
Na Ongrowing, qualquer novo canal entra no sistema com critérios claros.
Checklist mínimo antes de testar
- Proposta de valor objetiva
- ICP bem definido
- Clareza sobre o problema resolvido
- Capacidade operacional para atender leads mais qualificados
Métricas que realmente importam
Esqueça métricas de vaidade. Foque em:
- Qualidade das conversas iniciadas
- Taxa de avanço no funil
- Conversões assistidas
- Feedback qualitativo do lead
O volume será menor. O aprendizado precisa ser maior.
O impacto no médio prazo: menos hype, mais responsabilidade
Anúncios no ChatGPT não representam o “fim” de Google ou Meta. Representam mais uma camada no sistema.
A tendência é clara:
- Menos atalhos
- Mais clareza
- Mais responsabilidade na comunicação
Crescer nesse cenário exige:
- Oferta bem pensada
- Mensagem honesta
- Sistema de aquisição integrado
Como gostamos de repetir: tráfego é parte do sistema, não o sistema.
Conclusão: atenção mediada exige método
A entrada do ChatGPT como canal publicitário marca uma transição importante:
da disputa por cliques para a disputa por boas decisões.
Empresas que operam com método, dados e clareza tendem a se beneficiar.
Quem depende de volume, improviso ou promessas vazias vai sentir o impacto.
O jogo está ficando mais técnico — e mais justo.
FAQ — Perguntas comuns sobre anúncios no ChatGPT
O ChatGPT já tem anúncios liberados para todos?
Ainda não. O formato segue em testes e liberações graduais, com critérios claros de qualidade.
É um canal barato?
Tudo indica que não. A tendência é custo alto e inventário limitado.
Substitui Google Ads?
Não. Complementa. Cada canal cumpre um papel diferente no sistema.
Vale testar agora?
Somente para negócios maduros, com oferta validada e clareza estratégica.
Se você quer entender como integrar novos canais — como o ChatGPT — a um sistema de aquisição coerente, sem improviso e sem depender de hype, o caminho é sempre o mesmo: diagnóstico, estruturação, testes e leitura de dados.
Crescimento não vem de novidade.
Vem de método.